A Band não é pioneira na exploração de suicídio. O SBT, com o “Aqui Agora”, apresentou em 1993 o salto para a morte de uma jovem de 16 anos. E a Record abraçou a morte de um policial em 2003, no “Cidade Alerta”. Para ambos, o salto de audiência foi imediato.
Agora José Luiz Datena, no “Brasil Urgente”, apela ao suicídio de uma criança de dez anos, por Ibope ou talvez algo mais. Repisou ontem à exaustão como ela “se deu um tiro na cabeça” e até “perdeu massa encefálica”, disseminando cobertura de mesmo nível pelas outras redes, inclusive telejornais nacionais.
De início, Datena recusou que a arma fosse do pai, um guarda municipal. “Vamos checar para ver se isso é verdade mesmo.”
Confirmado pelos delegados que desfilaram no programa, ele não cedeu, passando a dizer que “ninguém foi mais penalizado” do que o guarda. Um delegado argumentou que “houve negligência do pai, é isso que tem que ser investigado”. Datena reagiu: “Eu espero que a culpa não fique para o pai. É o governo que não dá segurança”. Isentou a polícia, como ele sempre faz, e atacou “esses políticos que não me dão ouvidos”. Num “país que arrecada trilhões”, cobrou “detetor de metais em todas as escolas de todo o país”. Dizia: “Estamos jogados no lixo, ninguém toma providência neste país”.
Em discurso aberto, defendeu-se da eventual pecha de “sensacionalismo” com o suicídio de uma criança: “Cara que fala a verdade, como eu, não presta para a televisão”. Há duas semanas, ele confirmou à Folha.com sua “vontade” de se candidatar, porque “como jornalista não tem adiantado”.
Folha